RECOMEÇAR
"Pode até parecer clichê, uma cena de novela mexicana típica dos anos 1990 e um café servido às cinco da tarde, numa tentativa plena de fazer algo que solucionasse o problema ou quiçá a vida. Não, não era hora de pensar no dia seguinte, era hora de pensar no agora, no momento em que estou vivendo, passando maus bocados em passos largos ante uma vida nada correta de amores mal resolvidos.
Até que durante a tarde, no café da cidade, avistei no horizonte uma saída estreita que me levaria diretamente ao meu destino, incerto, enganoso e hostil de uma tarde corriqueira como nos filmes norte-americanos e seus scripts fajutos em que o amanhã sempre vem mas com a peculiaridade da existência do querer fazer sentido no caminho da vida, persistindo, sempre em prol de algo melhor, mais duradouro que um relacionamento perdido.
Foi nessa tarde, em meus pensamentos mais internos que idealizei um cometa em direção ao espaço sideral, sem medo e receios, corri e alcancei o meu destino, finalmente aprendi que para se ter uma independência, seja emocional seja financeira, deve-se ter em mente uma única coisa: o valor do seu amor próprio. Fica o questionamento, até que ponto você seria capaz de largar tudo pela sua felicidade, por amigos ou conhecidos, não sei, mas mudar o destino prega peças que nunca mais serão colocadas no lugar.
Era como um quebra-cabeça, e você a última peça do encaixe perfeito de um pôr-do-sol no meio do nada, horizonte oblíquo dos teus olhos castanhos, força motriz de um amor que ficou no passado e o presente à Deus pertence... era o que dizia a bíblia, mas será mesmo que ao final do encaixe tudo seria perfeito? a eternidade de um minuto seria suficiente para estancar o amor perdido e descoberto pela sociedade? De fato, que não... Esse quebra-cabeça permanecerá na memória dilacerada que afaga e mata a pureza do amor que embora cálido, se despedaçou. Bastava uma moldura na parede com a imagem completa retratando o nosso amor, num quarto escuro, sem vida, mas sempre será motivo de uma volta completa no horizonte chamado vida, e no caminho terminado em solidão. "
( autoria de @daniellabmc__ para o blog memórias dilaceradamente infames, numa tentativa de um recomeço, um novo rumo para a solidão que aprendi a conviver desde então. )

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