quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Diversidade por @daniellabmc__ para #MDI


DIVERSIDADE

        Desde quando eu era pequena sempre tive em mente que o que nos fazia diferentes uns dos outros, era as características físicas, psíquicas, identitárias e sociais. Cresci num meio em que a diferença era motivo de crença na personalidade alheia, respeitando suas especificidades e ouvindo apenas o coração da pessoa, a mensagem que esta vinha lhe transmitir. Direitos humanos, por assim dizer, podem ser considerados o cume do desprendimento alheio que vai desde o mais tenro filete de menino até o bujão mais ruivo do mercado. Negros, pobres, brancos, pardos, mamelucos, nunca pensei que existisse um arco-íris na nossa sociedade tão marcada pelos padrões conservadores e religiosos. Esse arco-íris era colorido com as raças humanas, estendendo desde o negro até o asiático, passando pelo indígena e pelo pardo, brancos não eram considerados superiores, longe disso, digo que eles eram a mistura de todas as raças, afinal, no arco-íris o branco representa a junção de todas as cores, cor primária por assim dizer, ciente daquilo que fazemos, unimos e representamos no universo psíquico do amor.
        Esse universo colorido se deu por completo em 2011, quando avistei ao longe na rua, um casal com dois filhos. Exatamente assim: a mulher, loira, magra, corpo escultural e sem conteúdo, o homem, negro, forte, másculo e competente, viril, segurando a mão de uma das crianças, também negra, com maria-chiquinhas no cabelo, e vestido plissado. O menininho que dava a mão para a menina era o oposto, branco, loiro, de olhos verdes com aparência quase que certeira no que tange o extremo oposto da menina. Uma família tradicional, por assim dizer, mista, misturada e feliz. Seria possível, senhor? Sim. Digo que aparentemente eles transpareciam serenidade e calma, profundamente unidos pelo coração. Tive um choque quando descobri que nenhum deles eram parentes de sangue, eram todos unidos pelo coração da adoção voluntária. A menina foi adotada num orfanato em Vitória, já o menino era um desgarrado da comunidade dos Tabajaras. A mãe era uma faxineira que subiu na vida, arranjando emprego e solidificando o aprendizado na universidade. O pai agricultor, dono de fazenda e disposto a mudar o mundo com as próprias mãos.
       O retrato do brasil, semeado pela gratidão e sinceridade, colorida na vida de cada um dos integrantes-membros da real família tradicional brasileira, nordestina, livre de firulas e pronta para começar na nova casa que abrigava ainda um gato preto chamado ralph e uma tartaruga chamada tina.
 Os irmãos sempre se dispuseram a entender o significado da palavra harmonia, paz, serenidade, interiorana que nutriam um pelos outros. Afinal, a diversidade se faz quando a gente menos espera se dá no tilintar do vinho, em uníssono, durante a mesa de jantar, além de que a vida não espera e o arco-íris está longe de ser motivo para mazelas da falsidade humana de acreditar num futuro que não pode ser alcançado.  

(autoria: de @daniellabmc__, para o #MDI, todos os direitos reservados) 


domingo, 22 de setembro de 2019

RECOMEÇAR por @daniellabmc__ para #MDI


RECOMEÇAR

              "Pode até parecer clichê, uma cena de novela mexicana típica dos anos 1990 e um café servido às cinco da tarde, numa tentativa plena de fazer algo que solucionasse o problema ou quiçá a vida. Não, não era hora de pensar no dia seguinte, era hora de pensar no agora, no momento em que estou vivendo, passando maus bocados em passos largos ante uma vida nada correta de amores mal resolvidos. 
            Até que durante a tarde, no café da cidade, avistei no horizonte uma saída estreita que me levaria diretamente ao meu destino, incerto, enganoso e hostil de uma tarde corriqueira como nos filmes norte-americanos e seus scripts fajutos em que o amanhã sempre vem mas com a peculiaridade da existência do querer fazer sentido no caminho da vida, persistindo, sempre em prol de algo melhor, mais duradouro que um relacionamento perdido.
         Foi nessa tarde, em meus pensamentos mais internos que idealizei um cometa em direção ao espaço sideral, sem medo e receios, corri e alcancei o meu destino, finalmente aprendi que para se ter uma independência, seja emocional seja financeira, deve-se ter em mente uma única coisa: o valor do seu amor próprio. Fica o questionamento, até que ponto você seria capaz de largar tudo pela sua felicidade, por amigos ou conhecidos, não sei, mas mudar o destino prega peças que nunca mais serão colocadas no lugar.
           Era como um quebra-cabeça, e você a última peça do encaixe perfeito de um pôr-do-sol no meio do nada, horizonte oblíquo dos teus olhos castanhos, força motriz de um amor que ficou no passado e o presente à Deus pertence... era o que dizia a bíblia, mas será mesmo que ao final do encaixe tudo seria perfeito? a eternidade de um minuto seria suficiente para estancar o amor perdido e descoberto pela sociedade? De fato, que não... Esse quebra-cabeça permanecerá na memória dilacerada que afaga e mata a pureza do amor que embora cálido, se despedaçou. Bastava uma moldura na parede com a imagem completa retratando o nosso amor, num quarto escuro, sem vida, mas sempre será motivo de uma volta completa no horizonte chamado vida, e no caminho terminado em solidão. "

( autoria de @daniellabmc__ para o blog memórias dilaceradamente infames, numa tentativa de um recomeço, um novo rumo para a solidão que aprendi a conviver desde então. )

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ALMAS GÊMEAS por @daniellabmc__ para o #MDI


ALMAS GÊMEAS


"Até ontem eu era cética, atéia, intelectualmente descrente no Senhor. Tudo isso serviu para transformar tudo o que eu nutria em minha alma para o estado de graça que recebi. Era um dia qualquer, uma manhã de domingo num campo florido de girassóis, parecendo filme, adentrei o campo sem destino. Apenas sentindo o cheiro das flores, percebi que a natureza emana a alegria da vida, forçosamente mudei minha cabeça para sempre. Os girassóis balançavam veementemente sobre o campo  nutrindo felicidade até para as minhocas que adubavam a terra, que senti ao pegar um punhado na mão. Era cheiro de vida, de paz absolutamente livre para ser o meu destino. Ainda no campo de girassóis, enquanto caminhava por entre eles, mirei num ponto fixo ao horizonte. O sol estava lindo, brilhante, fulguroso e radiante, emanando raios ultravioletas que exalavam, exaltando a vida perfeita, o momento lúcido que me veio à mente naquele domingo espetacular. Ainda na minha solidão, entre as flores tive a certeza que elas compunham uma rede de amizade espiritual em comunhão com as almas que ali estavam presentes, não fisicamente, claro, mas no meu coração eu sentia que havia encontrado o lugar onde tudo ia começar. Uma vida repleta de paixão pelo ser-humano, pela vida, pela natureza, tudo em volta encobria a minha solidão e dava um jeito de perceber no meu interior que eu havia encontrado minha alma gêmea. Nunca mais queria sair dali, não podia esquecer nunca mais aquele momento, digno de levar para a eternidade de um minuto, 60 segundos de prazer extremo, simbolicamente doce e suave que nunca mais voltaria porque além de ser um sonho, a realidade estava intacta na minha mente, a fotografia plena da minha história se completava no instante que a câmera registrou aquele momento, unicamente capaz de transformar o dia em noite, o sol ainda se punha e com ele levou todos os singelos pensamentos que meu coração sentia, só você poderia completar a cena, o protagonista dos meus sonhos e da minha realidade, minha alma gêmea morava delicadamente no meu inconsciente e nunca seria revelado."  


(Texto de autoria de @daniellabmc__ para o #MDI em homenagem aos que passaram pela minha vida, permanecendo no meu inconsciente, memórias dilaceradamente infames para todo o sempre)

domingo, 8 de setembro de 2019

CAMINHO DOS CÉUS por @daniellabmc__ para #MDI





CAMINHO DOS CÉUS


"Um dia desses me encontrava diante de uma linha de trem abandonada, no interior de Minas Gerais, terra natal de minha falecida avó. Encontrava-me defronte aos trilhos, sozinha, sem ninguém para atrapalhar o momento, o que me fazia ficar em paz, numa paz inquietante que assolava meus pensamentos... "Terminar a faculdade? Trancar a faculdade? Desistir de tudo ou simplesmente sair sem rumo, com minha bicicleta sem freio, prosseguindo para o horizonte sem fim. O horizonte, ao longe era quase que inatingível, uma cena de novela, dessas em que os personagens principais, de mãos dadas seguem andando, sem destino. Não, não foi assim, afinal, a novela não existia na realidade, e o script fora formado a partir da minha própria imaginação. Seguir os trilhos era uma opção, a mais fácil por assim dizer, horizontalmente rumo ao horizonte, sem curvas. Imaginava um caminho sem volta, oblíquo e dissimulando uma vida certinha dessas que a mocinha da novela é obrigada a seguir fielmente ao seu diretor, fazendo o que ele ordena, atuando em prol de um enredo massivamente cativante... Ou não? Eu não sou atriz, até pensei em ser um dia, mas isso é estória para outro post. Voltando à encruzilhada que me encontrava ou melhor, me perdia diante de meus pensamentos infames, delírios que queria esquecer, mas persistiam martelando em minha mente. Não é possível seguir em frente naquele caminho, eu gosto de curvas, gosto de tangentes, gosto de tudo que não é horizontal, o formato das coisas no mundo devem ilustrar o que somos, humanos errantes, capazes de por meio dos erros aprender no peito e na marra a crescer, amadurecendo, criando forças para enfrentar o mundo dos boletos, a frieza dos bancários que toda semana enchem sua caixa-postal com cobranças. Basta de tanta hipocrisia mascarada de deveres do cidadão de bem! Pagar suas contas ninguém quer, o negócio é usufruir de um mundo vazio, em que o boleto seria como a etiqueta fabril do capitalismo que insiste em veiculando o dinheiro, corrompe nossas vidas. Falta amor nesse mundo, falta capacidade crítica de vencer a intemperança do código de barras, a numeração exigida servirá apenas para te colocar como mais um, numeral arrependido que assola a razão e serve de instrumento para o poder do sistema. Quebrar o sistema, esse é meu lema! Então, concluo que na encruzilhada a melhor forma de escolher o caminho menos conturbado, siga pela tangente que te leva ao seu coração, lá no fundo você saberá exatamente o caminho a seguir, basta dar o primeiro passo que te levará ao horizonte das expectativas que embora frustradas foram de fato vividas, a experiência concebe a essência humana do querer, a dádiva divina, conduzindo-lhe para o caminho dos céus."


(monólogo de autoria de @daniellabmc__ para Memórias Dilaceradamente Infames)

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Pedras no caminho.... O início das memórias dilaceradamente infames! por @daniellabmc__

Hoje poderia ter sido um dia como outro qualquer, se não fosse aquela maldita pedra, no meio do caminho, pedra que mudaria todo o percurso de uma vida nada qualquer. Tudo tinha um motivo, o caminho, a pedra, tudo estava ali para acontecer. O tombo foi feio, meu joelho foi parar no espaço, mas a pedra continuava ali, persistente, no meio do caminho. Ai Drummond, porque deixou justamente essa pedra naquele maldito lugar para que meu pé se debruçasse e meu corpo nada escultural, caindo, severamente, frente às escadas daquela rua sem nome, dita como qualquer rua que levaria a lugar nenhum. E exatamente neste momento a pedra insistia em permanecer cálida, vistosa e me encarando sem pudores, falou como se tivesse adquirido personalidade humana: “Sim, você precisa passar por mim, chutar-me todos os dias, para que sua vida faça sentido.” Respondi abruptamente à minha consciência, ou seria à pedra falante... “Sentido pra quem? Afinal, é essa pedra que me aconselha para uma vida inteira?” Humildemente a pedra, responde: “Sim, e eu estarei em todos os momentos de sua vida para que não desistas de lutar, não deixe que os obstáculos te esmoreçam a alma, permanece altiva, corajosa e disposta a colecionar essas pedras que colherás por todo o caminho de sua vida”. Entendi o recado e nunca esqueci aquele dia, aquela pedra, aquele tombo. Meu joelho ficou machucado, sim, mas meu coração ficou especialmente curado pelo obstáculo supremo do medo, enfrentei e assim continuei meu caminho, colecionando as pedras no meio dele.
                ( Autoria: CRUZ, D.B.M @daniellabmc__ com inspiração no Poeta Carlos Drummond de Andrade)

Shakira ♥️

A noite mais extraordinária da minha vida aconteceu no sábado 02/05/2026 quando do nada eu resolvi enfrentar meus medos e insegu...