Hoje poderia ter sido um dia como outro qualquer, se não fosse aquela maldita pedra, no meio do caminho, pedra que mudaria todo o percurso de uma vida nada qualquer. Tudo tinha um motivo, o caminho, a pedra, tudo estava ali para acontecer. O tombo foi feio, meu joelho foi parar no espaço, mas a pedra continuava ali, persistente, no meio do caminho. Ai Drummond, porque deixou justamente essa pedra naquele maldito lugar para que meu pé se debruçasse e meu corpo nada escultural, caindo, severamente, frente às escadas daquela rua sem nome, dita como qualquer rua que levaria a lugar nenhum. E exatamente neste momento a pedra insistia em permanecer cálida, vistosa e me encarando sem pudores, falou como se tivesse adquirido personalidade humana: “Sim, você precisa passar por mim, chutar-me todos os dias, para que sua vida faça sentido.” Respondi abruptamente à minha consciência, ou seria à pedra falante... “Sentido pra quem? Afinal, é essa pedra que me aconselha para uma vida inteira?” Humildemente a pedra, responde: “Sim, e eu estarei em todos os momentos de sua vida para que não desistas de lutar, não deixe que os obstáculos te esmoreçam a alma, permanece altiva, corajosa e disposta a colecionar essas pedras que colherás por todo o caminho de sua vida”. Entendi o recado e nunca esqueci aquele dia, aquela pedra, aquele tombo. Meu joelho ficou machucado, sim, mas meu coração ficou especialmente curado pelo obstáculo supremo do medo, enfrentei e assim continuei meu caminho, colecionando as pedras no meio dele.
( Autoria: CRUZ, D.B.M @daniellabmc__ com inspiração no Poeta Carlos Drummond de Andrade)

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