DIVERSIDADE
Desde quando eu era
pequena sempre tive em mente que o que nos fazia diferentes uns dos outros, era
as características físicas, psíquicas, identitárias e sociais. Cresci num meio
em que a diferença era motivo de crença na personalidade alheia, respeitando
suas especificidades e ouvindo apenas o coração da pessoa, a mensagem que esta
vinha lhe transmitir. Direitos humanos, por assim dizer, podem ser considerados
o cume do desprendimento alheio que vai desde o mais tenro filete de menino até
o bujão mais ruivo do mercado. Negros, pobres, brancos, pardos, mamelucos,
nunca pensei que existisse um arco-íris na nossa sociedade tão marcada pelos
padrões conservadores e religiosos. Esse arco-íris era colorido com as raças
humanas, estendendo desde o negro até o asiático, passando pelo indígena e pelo
pardo, brancos não eram considerados superiores, longe disso, digo que eles
eram a mistura de todas as raças, afinal, no arco-íris o branco representa a
junção de todas as cores, cor primária por assim dizer, ciente daquilo que
fazemos, unimos e representamos no universo psíquico do amor.
Esse universo colorido se deu por completo em
2011, quando avistei ao longe na rua, um casal com dois filhos. Exatamente
assim: a mulher, loira, magra, corpo escultural e sem conteúdo, o homem, negro,
forte, másculo e competente, viril, segurando a mão de uma das crianças, também
negra, com maria-chiquinhas no cabelo, e vestido plissado. O menininho que dava
a mão para a menina era o oposto, branco, loiro, de olhos verdes com aparência quase
que certeira no que tange o extremo oposto da menina. Uma família tradicional,
por assim dizer, mista, misturada e feliz. Seria possível, senhor? Sim. Digo
que aparentemente eles transpareciam serenidade e calma, profundamente unidos
pelo coração. Tive um choque quando descobri que nenhum deles eram parentes de
sangue, eram todos unidos pelo coração da adoção voluntária. A menina foi adotada
num orfanato em Vitória, já o menino era um desgarrado da comunidade dos
Tabajaras. A mãe era uma faxineira que subiu na vida, arranjando emprego e
solidificando o aprendizado na universidade. O pai agricultor, dono de
fazenda e disposto a mudar o mundo com as próprias mãos.
O retrato do brasil,
semeado pela gratidão e sinceridade, colorida na vida de cada um dos
integrantes-membros da real família tradicional brasileira, nordestina, livre
de firulas e pronta para começar na nova casa que abrigava ainda um gato preto
chamado ralph e uma tartaruga chamada tina.
Os irmãos sempre se
dispuseram a entender o significado da palavra harmonia, paz, serenidade,
interiorana que nutriam um pelos outros. Afinal, a diversidade se faz quando a
gente menos espera se dá no tilintar do vinho, em uníssono, durante a mesa de
jantar, além de que a vida não espera e o arco-íris está longe de ser motivo
para mazelas da falsidade humana de acreditar num futuro que não pode ser
alcançado.
(autoria: de @daniellabmc__, para o #MDI, todos os direitos reservados)